EM PORTUGUÊS CORRECTO

 

Saiu, em Março, mais uma publicação sobre o uso da língua portuguesa. Assim é que é falar! 201 Perguntas, Respostas e Regras sobre o Português Falado e Escrito, da editora Planeta e da autoria de Maria Regina de Matos Rocha (também coord.), Maria João Casanova de Matos e Sandra Duarte Tavares, é uma obra em que se formulam perguntas que traduzem algumas das dúvidas mais frequentes de língua portuguesa. Juntamente com as respectivas respostas, enunciam-se regras, que, mantendo o rigor terminológico, apresentam uma linguagem acessível ao leitor não especializado. Cada vez mais este tema nos deve preocupar. Como diz o Prof. Carlos Reis, no Prefácio “Precisaremos seguramente deste Assim é que é falar!, se  pensarmos que bem falar e bem escrever são provas de respeito pelo nosso    património (a língua é um bem patrimonial) e de afirmação de bom gosto. E  assim trataremos a língua como quem faz a sua higiene pessoal ou se preocupa em vestir com elegância, mesmo que discreta. Sim, porque a língua também é gente...».
 

NÃO DIGA / NÃO ESCREVA

DIGA / ESCREVA

1. A Presidenta da Câmara.

1. A presidente da Câmara.

2. Ele vive às custas do pai.

2. Ele vive à custa do pai.

3. Ele nega que é negligente.

3. Ele nega que seja negligente.

4. Ela intermedia a negociação.

4. Ela intermedeia a negociação.

5. Rua Santo António.

5. Rua de Santo António.


1. Deverá dizer-se “a presidente”. As palavras terminadas em -ente são comuns de dois. Outros exemplos: a agente, a cliente, a parente, a regente, a servente, a suplente, a tenente, a combatente, a concorrente, a confidente, a delinquente, a descendente, a indigente, a paciente, a recorrente, a requerente, a adolescente, a sobrevivente, etc. Tal característica decorre do facto de estas palavras serem na generalidade provenientes do particípio presente dos verbos latinos, com o significado primitivo de “aquele ou aquela” que preside, que consulta a respeito de, que age, etc. A terminação da palavra tem que ver com a duração da acção, e não com quem a pratica (masculino ou feminino), que vem identificado apenas no artigo.

2. “Às custas” de ou “à custa de”? No dia-a-dia empregamos estes termos de formas erradas.
- à custa de – com o dinheiro de; com os recursos de; por meio de.
- custas – despesas em processo judicial.

A forma correcta  e coerente é:
- “Ele vive à custa do pai”. (com o dinheiro de, por meio de.)

 

3. Nega que … introduz o conjuntivo, à semelhança de “embora” e “talvez”. Embora seja, talvez seja…


4. Mediar e intermediar conjugam-se como odiar: Ele intermedeia (ou medeia) a negociação. Remediar, ansiar e incendiar também seguem essa norma.

 

5. Sobre esta questão transcrevemos a explicação minuciosa do sítio Ciberdúvidas da Língua Portuguesa:  Em geral, utiliza-se a preposição de a ligar a palavra rua, avenida, praça, etc. à designação da mesma. É a forma tradicional de construir estas denominações. Tal acontece, nomeadamente, nas designações que incluem:

a)    Topónimos (nomes de locais, de cidades ou de países). Ex.: Rua de Aveiro, Rua de Macau, Praça de Espanha;
b)    Substantivos que designam conceitos, sentimentos, cargos, situações, características. Ex.: Avenida da Liberdade, Rua da Alegria, Avenida da Boavista;
c)    Substantivos comuns. Ex.: Rua das Laranjeiras, Rua da Fonte;
d)    Nomes de santos. Ex.: Rua de Santa Teresinha, Rua de Santa Marta;
e)    Nomes de pessoas que nasceram, viveram, trabalharam ou realizaram algo naquele local ou relativamente àquele local, sendo a preposição de aqui usada para estabelecer uma relação de posse: a rua é ou ficou conhecida pelo facto de essa pessoa estar ligada a ela; é a rua dessa pessoa, é como se a rua lhe pertencesse, porque a pessoa aí nasceu, viveu, trabalhou ou morreu. Ex.: Rua do Conselheiro Queiroz, Rua do Teodoro.

6.    Há, no entanto, casos em que se omite a preposição. São os seguintes:

a) Em geral, em designações que incluem antropónimos (nomes de pessoas). A rua é assim denominada em honra dessa pessoa, independentemente de ela aí ter vivido. Exemplos: Rua Fernando Pessoa, Rua Miguel Torga, Praça Luís de Camões, Avenida D. Afonso Henriques;
b) Quando a designação inclui datas. Exemplos: Avenida Primeiro de Janeiro, Avenida 24 de Julho, Avenida 5 de Outubro;
c) Por questões de eufonia, para se evitar a repetição da preposição. Exemplos: Avenida Rio de Janeiro, Avenida Cidade de Luanda.

 

 

 

Prof. Manuel Barros