EDITORIAL
Chegamos ao ponto final de mais um ano escolar. É tempo de fazer um balanço geral daquilo que trabalhámos, aprendemos e no fundo vivemos nestes últimos nove meses. Foram meses fugazes que nos deixam à beira da recta final de mais um ciclo das nossas vidas.
Se o conjunto dos três períodos lectivos fosse uma corrida, poder-se-ia dizer que estamos já a escassos metros da ansiada meta. Metaforicamente falando, o acesso à Universidade poder-se-ía comparar aos Jogos Olímpicos e nós professores devemos preparar e treinar os nossos “atletas” para esta nova etapa que se avizinha. Os alunos do 12º ano da nossa escola, quais “Obikwelus”, devem treinar-se convenientemente para estes últimos 100 metros, que deverão enfrentar com toda a energia que lhes resta. Talvez sejam os “100 metros” mais importantes das suas vidas, que decidirão o futuro de todos eles. Como professores desejamos aos finalistas toda a sorte do mundo e que todos eles sem excepção possam alcançar a tão desejada “medalha de ouro” que será entrar no curso pretendido.
Estes alunos, levarão com certeza à letra, o lema saudosista de um famoso club de futebol lisboeta que diz: “Esforço; Dedicação e Glória”, já que das três premissas apenas se lhes pede um pouco mais de Esforço e Dedicação, para poder atingir a tão merecida Glória.
Se docentes e discentes tomarem por lema: “Et Pluribus Unum”, remarão todos no mesmo sentido e isso facilitará inequivocamente a árdua tarefa de obter bons resultados nos tão temidos (muitas vezes sem razão) exames nacionais. Se a união realmente faz a força, devemos agora mais do que nunca, estar unidos já que o sucesso de um aluno é, em parte o sucesso de um professor. Tal como o sucesso de um atleta é o reflexo de um bom treino, também o sucesso escolar de um aluno pode ser interpretado como o reflexo de uma boa leccionação.
O mérito dos resultados é, contudo, e sempre será do aluno, estrela principal desta olimpíada que é a Educação.
Da parte do Entre Nós queríamos agradecer a colaboração de colegas professores e alunos ao longo deste ano, sem os quais não teria sido possível a elaboração do mesmo.
Da minha parte queria deixar a toda a comunidade escolar um sincero Bem Haja e um Até Sempre!
Prof. Nuno Santos
A REPÚBLICA E OS SÍMBOLOS
Implantada a República com a Revolução do 5 de Outubro de 1910, é posto em marcha o ideário republicano. O novo sistema político é legitimado pela Constituição de 1911 e todo um vasto corpo legislativo ambiciona mudar o país. O país, porém, lenta e dificilmente acata a mudança, persistindo no seu atraso económico, social e cultural.
Portugal era há cem anos muito diferente daquilo que hoje conhecemos. O fenómeno da urbanização da sociedade estava praticamente circunscrito a Lisboa e Porto, onde aliás o Partido Republicano recrutara um grande número de adeptos desde os tempos da Monarquia. De resto, a maioria de portugueses vivia de forma arcaica, maioritariamente no meio rural. Imperava o analfabetismo (taxa de c. 80%), a indiferença e a desconfiança face à revolução. Perante este cenário “sabia-se bem como o recrutamento dos homens para a ideia republicana havia de fazer-se pela doutrinação e como esta havia de sustentar-se sobre uma nova «religião cívica», assente na «festa cívica», na reconstrução do imaginário colectivo, numa nova gramática simbólica e mesmo numa renovação das fórmulas administrativas”.(1)
A ideia republicana vai veicular-se de inúmeras formas, devendo destacar-se: a nova Bandeira Nacional (verde e vermelha), o novo Hino Nacional (A Portuguesa) e a “República” (um busto ou um corpo semi desnudado de mulher com barrete frígio). Mas, a educação cívica e política dos portugueses em torno do ideário republicano far-se-á, também, por outras vias, nomeadamente, com as Festas Cívicas (como a da árvore), cerimónias de “culto” aos heróis republicanos, novos manuais escolares, nova moeda (o escudo), novos selos de correio e muitos objectos (latas, panfletos, gravuras, postais, peças de cerâmica e faiança, etc), que pelo uso quotidiano passavam a ideia republicana.
A simbólica republicana é abundante nos primeiros momentos da revolução, sendo que a “República”, a figura feminina de barrete frígio, então muito em voga, prestou-se a mil alegorias, transmitindo invariavelmente uma imagem de coragem, determinação, sendo como tal um autêntico objecto cultual na sociedade laica preconizada pelos republicanos portugueses.
Carlos Teles e Isabel Magalhães
Prof. Carlos Teles e Profª.Isabel Magalhães